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quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Piracicaba vai trocar 2 mil torneiras nas creches e escolas

O Semae (Serviço Municipal de Água e Esgoto) de Piracicaba vai trocar 2 mil torneiras nas creches e escolas municipais. O objetivo da medida é reduzir em 50% o consumo de água nesses estabelecimentos. Essa é uma das propostas do órgão para diminuir o volume de água consumida na cidade em 2009, informa o presidente Vlamir Schiavuzzo.

A iniciativa será feita em parceria com a Secretaria Municipal de Educação e deverá custar R$ 120 mil ao Semae, informou Schiavuzzo. "A proposta é ampliar a medida inclusive nas escolas estaduais e também em todos os prédios públicos", disse.

A torneira comum gasta 15 litros de água por segundo. A torneira econômica (aquela que abre mediante aperto e fecha sozinha) consome 7,5 litros de água por segundo. "Com essas novas torneiras nas unidades os estudantes serão atendidos da mesma forma, mas haverá automaticamente a redução do consumo e com isso também poderemos melhorar a distribuição da água", afirma.

A mudança deve atingir mais de 16 mil crianças matriculadas no ensino fundamental e pré-escolar do município, conforme dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2007. Informações do instituto revelam ainda que, em 2007, eram 39 as unidades municipais de pré-escola em Piracicaba e 36 escolas municipais de ensino fundamental.

AÇÕES. Além da redução do consumo, outro objetivo do Semae é baixar o custo do tratamento da água. Fazem parte do planejamento do Semae a revisão da rede - que já é feito constantemente com a troca de tubulação - e a setorização dos bairros.

"Hoje se há um rompimento em um bairro, pelo menos dez ficam sem abastecimento. Dividindo por setor, se fecha o registro somente do local onde está o problema e os demais continuam recebendo água normalmente", afirma.

Essa medida, além de reduzir os transtornos para a população, diminui o consumo da água, porque para efetuar o reparo na rede, Schiavuzzo explica que precisa esgotar toda a água de uma grande quantidade de bairros. Com o registro setorizado, será desperdiçada a água daquela região específica.

Para esse serviço começar a ser implantado, Schiavuzzo revela que já foi iniciado um levantamento detalhado de todas as ligações de água da cidade.

"Reduzir o consumo de água, implica em menor captação e menos custo com produtos químicos e outras ações feitas no tratamento da água para o abastecimento, além da conservação ambiental", disse.

Ainda para 2009, Schiavuzzo informa que será efetuada a troca dos motores das bombas de captação de água por equipamentos novos que consomen menos energia elétrica. A previsão desse serviço é para o segundo semestre.

De 1990 a 2007, o consumo de água na cidade cresceu 28,8%, passando de 20,32 milhões de metros cúbicos para 26,18 milhões. Nesse período a população da cidade aumentou de 283,83 mil habitantes para 358,1 mil moradores, um crescimento de 26,16%.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Cultura antidesperdício de água pode combater a crise econômica e climática

Vivemos num mundo de extremos com bolhas de consumo e crises globais, com intempéries climáticas trazendo seca no centro-norte e enchentes no sul. O aprendizado que importa, é que o homem, assim como influencia negativamente, pode agir de forma positiva. Vejamos o exemplo da construção civil. O setor responde por 15% do PIB, empregando 15 milhões de pessoas. Ao mesmo tempo, provoca um impacto ambiental severo: dos recursos extraídos da natureza, o setor absorve a metade em suas atividades e produz 40% do resíduo gerado, desde a edificação de uma obra até sua demolição, com impactos que vão das aglomerações humanas até inundações.

Por outro lado, assim como qualquer outro ramo da atividade econômica, a construção civil é fomentadora do desenvolvimento. Então, o que é necessário? O governo acaba de anunciar uma ajuda para o setor imobiliário, liberando linha de crédito de R$ 3 bilhões e até 5% dos recursos das cadernetas de poupança. Isto é uma medida bem-vinda, mas que resolve no curto prazo.

Procurando olhar para o futuro, continua valendo o batido refrão: investir no desenvolvimento sustentável. A história é antiga, e implica em utilizar de forma racional os recursos naturais disponíveis, repondo o que for possível e evitando a degradação. Responsabilidade é a palavra-chave. Entre os recursos oferecidos pela natureza, o que está mais em risco hoje é a água. Aparentemente inesgotável, na verdade o líquido é mais precioso do que se imagina. Afinal, cerca de 97% da água está nos oceanos, enquanto 2,3% estão em forma de gelo ou nos lençóis subterrâneos e apenas 0,36% nos rios, lagos e pântanos. Deste pouco utilizável, 80% vão para fins agrícolas, 15% para as indústrias e 5% para consumo individual.

O uso racional da água, portanto, é fator de sobrevivência para todos. O investimento em tratamento e combate ao desperdício é prioritário, tanto para o poder público quanto para as empresas e, principalmente, para cada pessoa. Na construção civil, a fabricação e aplicação de produtos economizadores é uma tendência cada vez mais forte. A diferença de consumo de água entre uma torneira comum e uma economizadora chega a 77%! Portanto, combater a crise econômica com soluções antidesperdício é uma equação simples que pode ser aplicada em todos os extratos da sociedade. Para fechar, uma reflexão de Guimarães Rosa, cada vez mais atual: “A água de boa qualidade é exatamente como a saúde ou a liberdade: só tem valor quando acaba”.

Dania Pereira
Gerente de Marketing Corporativo
Docol Metais Sanitários

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Milhões de litros de água pelo ralo no Starbucks


Os britânicos (pelo menos os com um mínimo de consciência ambiental) se chocaram hoje ao ler uma reportagem do tablóide The Sun.

Segundo o jornal, a rede americana de cafés Starbucks desperdiça milhões de litros de água todos os dias em decorrência de uma política da empresa de deixar as torneiras de água fria abertas durante todo o dia em milhares de suas lojas ao redor do mundo.

Seriam 23,4 milhões de litros de água potável desperdiçados por dia nas 10 mil lojas da rede, o que poderia abastecer toda a população da Namíbia, um país que sofre com a seca, ou encher uma piscina olímpica a cada 83 minutos.

A empresa não negou que tenha essa política, mas afirmou que não se trata de desperdício, mas de uma medida de saúde e segurança necessária para manter a limpeza das pias, onde são higienizados xícaras e talheres. O argumento é de que a água corrente eliminaria os germes das torneiras.

Ambientalistas estão chocados, porque a rede sempre tentou projetar a imagem de que é uma empresa preocupada com o ambiente.

"Ao tomar algumas medidas para reduzir o desperdício em nossas operações e reciclar, somos capazes de preservar os recursos naturais da Terra e melhorar a qualidade de vidas ao redor do mundo", afirma um texto na página da empresa na internet.

O The Sun começou a investigar o caso com a denúncia de um casal de britânicos, que depois de reclamar da torneira aberta em uma loja, recebeu a confirmação de um gerente de que essa é a política da companhia.

"Percebi uma pequena pia embaixo do balcão com a torneira aberta. A assistente disse que a loja foi instruída a fazer isso, para limpar os canos", disse Lisa Woolfe, 39 anos, ao tablóide.

Para Peter Robinson, da organização ambientalista Waste Watch, deixar as torneiras abertas todo o dia é um "desperdício chocante desse recurso precioso":
"O argumento de que isso é feito por motivos de higiene é uma bobagem", completou.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Casa Sustentável será apresentada na Expo Construção Minas

Modelo de moradia sustentável vem ao encontro do tema do Minascon 2008 – “Desenvolvimento e Sustentabilidade”- , que oferecerá diversas programações técnicas a serem realizadas simultaneamente à feira.

Entulhos recicláveis das cidades de São Paulo e Belo Horizonte, que podem ser usados como matéria-prima da Habitação Sustentável, dariam para construir mil casas populares por dia.

Nada mais oportuno do que aproveitar os maiores eventos da cadeia produtiva da construção civil no estado, a Expo Construção Civil Minas 2008 e o Minascon 2008, que estarão focados no tema “Desenvolvimento e Sustentabilidade”, para apresentar a Habitação Sustentável. É isto o que vai acontecer no período de 16 a 20 de setembro, no Expominas, em Belo Horizonte.

A Habitação Sustentável, de 60 metros quadrados e dois pavimentos, será o destaque da “Praça do Concreto” a ser construída na Expo Construção Minas - 1ª Feira de Tecnologia, Máquinas e Equipamentos da Indústria da Construção de Minas Gerais.

O projeto da Habitação Sustentável foi desenvolvido pela Laminus Engenharia em parceria com a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e empresas de concreto e utiliza nas construções de baixa renda, um novo tipo de concreto, denominado Concreto Ecológico. Este concreto é obtido da composição de concretos nobres com matérias-primas pré-selecionadas e recicladas da indústria da construção civil, propiciando, assim, o aproveitamento das sobras da construção e minimizando o impacto que essas sobras provocam ao meio ambiente.

“Com o projeto da casa sustentável, incluindo todo um processo industrial já disponível, o entulho reciclável das cidades de São Paulo e Belo Horizonte poderia responder pela construção de mil casas por dia para a população de baixa renda”, afirma o idealizador do projeto, engenheiro Anselmo Duarte. “Não é exagero dizer que não existe nada similar no Brasil ou no exterior que venha contemplar a soma de dois objetivos - o ambiental e o social - com esta envergadura”, assegura.

O engenheiro explica que a casa sustentável, que utiliza painéis laminares pré-fabricados em Concreto Ecológico, apresenta menores custos operacionais e contribui efetivamente para a preservação do meio ambiente, por não apresentar perdas de material na produção e montagem; não gerar resíduos sólidos poluentes; não fazer uso de madeira em qualquer etapa da obra e ser produzido em escala e de forma industrial.

Outras vantagens são que a moradia pode ser construída com painéis de isolamento térmico e acústico (PITs e PLAs) e possui exclusivo sistema de captação, filtragem e reuso de águas pluviais, o CAP-RAIN. “Este sistema dispensa calhas externas e é embutido no telhado, aproveitando 80% das chuvas, além de utilizar a energia solar para tratar e bombear a água para ser reaproveitada e não usar produtos químicos para a filtragem”, esclarece Duarte.

A Habitação Sustentável é também o único projeto habitacional concebido para receber o Sistema Solar de Aquecimento Integrado (SAI), que faz a captação solar direta do reservatório, reduzindo tubulações e perdas de calor. O engenheiro salienta que, para regiões de clima frio, o SAI disponibiliza painéis laminares de dissipação térmica, que aquecem o interior da casa. Já a necessidade de ventilação é suprida pelo Flow-up, sistema de ventilação natural que utiliza o gradiente térmico produzido pela inclinação da laje de cobertura.

Outra novidade desse modelo de casa é que ele possui projeto exclusivo de coleta seletiva do lixo residencial, trazendo inserido na lâmina da parede da cozinha um seletor de lixo que conecta um saco para cada tipo de material a ser reciclado no lado externo da casa.

De acordo com o engenheiro, o projeto da Habitação Sustentável se iniciou com estudos apresentados no Minascon 2007 e a construção de um exemplar da Casa Ecológica na feira do ano passado. Agora, foram introduzidos acessórios e inovações patenteadas desenvolvidas por ele com o apoio da Laminus Engenharia, ABCP, Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais (Sebrae), Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG) e Sindicato das Indústrias de Produtos de Cimento do Estado de Minas Gerais (Siprocimg).

Espaço de convivência - A Habitação Sustentável poderá ser visitada na “Praça do Concreto”, idealizada pela ABCP, Associação Brasileira dos Fabricantes de Blocos de Concreto (Bloco Brasil) e Siprocimg para a Expo Construção Minas 2008.

Projetada em uma área de 144 metros quadrados, com artefatos e produtos pré-fabricados de concreto consagrados no mercado e utilizados largamente na habitação popular, em projetos de acessibilidade e de muros e contenções produzidos por empresas do setor cimenteiro, a Praça do Concreto servirá como um espaço de convivência para os visitantes da feira.

Todos os seus componentes estruturais - blocos para alvenaria, placas pré-fabricadas, blocos para muros e contenções, pisos intertravados e estruturas laminares em painéis de concreto - serão fornecidos pelas Blocos Sigma, Blojaf, Unistein e Laminus.

Na feira, estarão presentes também cerca de 100 empresas que exporão suas mais recentes tecnologias, equipamentos, máquinas, produtos e serviços focados, principalmente, em soluções sustentáveis para o setor.

A Expo Construção Minas 2008 e o Minascon 2008 serão realizados pelo Sistema FIEMG, através da Câmara da Indústria da Construção, e promovidos pela Fagga Eventos, com apoio do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais (SEBRAE-MG), e patrocínio da Caixa Econômica Federal, Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia no Estado de Minas Gerais (CREA-MG), Holcim Brasil, Governo de Minas e Ministério das Cidades.

Expo Construção Minas 2008, de 16 a 20 de setembro de 2008, das 15 às 22 horas, na Expominas – avenida Amazonas, 6.030 – Gameleira – BH/MG – Pavilhão principal. Informações: Fagga Eventos – (31) 3223-4500 | Site: www.expoconstrucao.com.br ou www.fiemg.com.br/minascon
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sexta-feira, 12 de setembro de 2008

SustentaX atesta produtos sustentáveis e lança catálogo inédito para o setor imobiliário

Para conquistar uma certificação Leadership in Energy and Environmental Design (LEED), mais difundido critério no mundo de identificação de “Prédios Verdes”, um empreendimento precisa atender alguns pré-requisitos, como eficiência energética mínima, controle de erosão e sedimentação do solo, controle do tabaco para garantir a qualidade do ar interno, e preencher um número mínimo de créditos. Para auxiliar neste processo, o Grupo SustentaX desenvolveu o Selo SustentaX de Sustentabilidade com Qualidade que atesta produtos com qualidade comprovada e responsabilidade socioambiental em sua fabricação e sua contribuição para os "Green Buildings". As informações referentes aos produtos atestados podem ser consultadas no Catálogo de Sustentabilidade com Qualidade, que a empresa acaba de lançar e de disponibilizar no site www.SeloSustentaX.com.br.

Nesta primeira edição do catálogo, os usuários encontram, para cada produto, de forma inédita e consolidada, as contribuições na conquista de créditos LEED que a utilização do produto implica com o esclarecimento de sua adequação a Green Buildings e justificando o recebimento do Selo. Para um produto ser atestado com Selo SustentaX têm avaliados itens como percentuais de materiais reciclados, reutilizados, alternativos e regionais, níveis de emissão de Compostos Orgânicos Voláteis – COVs (substância química nociva à saúde), entre outros, sempre observando o compromisso com a responsabilidade social e ambiental da empresa e a qualidade do produto.

Entre os produtos atestados estão adesivos e selantes; metais sanitários; pisos e revestimentos; tecidos e tintas, de empresas como Adespec, Deca, Durafloor, Fademac, Giroflex, Interfloor, JRJ, Pisoag, Suvinil/Basf e Werden.

O Grupo SustentaX instituiu o Selo SustentaX de Sustentabilidade com Qualidade para dar fluidez ao crescente mercado de construções sustentáveis, reduzindo custos de concepção, implantação e operação de Green Buildings após gerenciar a conquista do primeiro certificado LEED da América do Sul.

“A partir da experiência da primeira certificação LEED, obtida pela Agência Granja Viana do Banco Real em Cotia, em SP, detectou-se uma expressiva necessidade do mercado em identificar os produtos sustentáveis com qualidade assegurada. Após dois anos de investimentos e intensos estudos, atestamos os primeiros produtos, inicialmente na área da construção civil”, explica Newton Figueiredo, Presidente do Grupo SustentaX.

O Selo SustentaX de Sustentabilidade com Qualidade também aplica-se a Construtoras, Incorporadoras, Equipamentos, Arquitetura de Interiores, Paisagismo, Prestadores de Serviço, Operadores de Limpeza e Empreendimentos temporários (eventos). “O objetivo sempre é aumentar a produtividade e reduzir custos na produção, implantação e operação de empreeendimentos imobiliários ambientalmente sustentáveis, facilitando a introdução de materiais, equipamentos e prestadores de serviços socioambientalmente corretos e com qualidade, ao permitir sua rápida identificação por projetistas, arquitetos, construtores, compradores e demais interessados”, explica Figueiredo.

Perfil do Grupo SustentaX - O Grupo SustentaX atua nos setores de desenvolvimento de estratégias corporativas sustentáveis, otimização energética de empreendimentos, engenharia de sustentabilidade para empreendimentos, prestadores de serviço e produtos, descarbonização e neutralização de gases de efeito estufa GEE e sustentabilidade social empresarial, desenvolvendo de forma integrada o conceito de sustentabilidade. A SustentaX - Engenharia de Sustentabilidade se dedica a projetos de sustentabilidade de empreendimentos e desenvolve o gerenciamento de certificação de prédios com base no critério LEED (Leadership in Energy an Environmental Design), criado pelo USGBC (U.S. Green Building Concil). A SustentaX foi a responsável pelo primeiro certificado no segmento de Green Buildings na América do Sul, com a Agência do Banco Real na Granja Viana, em Cotia/SP. Além disso, o empreendimento Rochaverá, cujo projeto de sustentabilidade foi desenvolvido pela SustentaX, recebeu o Prêmio Prix d’ Excellance pela FIABCI , em maio de 2008 como o projeto mais sustentável do mundo.
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segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Edificação Ecológica

Arquitetura sustentável tem sido um dos temas mais abordados entre arquitetos, urbanistas e engenheiros. Todos vêm discutindo o assunto em palestras, cursos e workshops tentando buscar soluções cada vez mais criativas para amenizar o impacto das edificações sobre o meio ambiente.
Algumas construtoras já propõem soluções básicas em seus empreendimentos tendo a consciência de seu papel perante a sociedade; visam como objetivo promover um bom desempenho ambiental do edifício através da sua arquitetura e atendem as exigências de clientes com preocupações com a sustentabilidade.

Veja abaixo o que já está ao seu alcance para ter o seu uso de àgua em dia com o Planeta:
1) Contrate um arquiteto que tenha conhecimento em arquitetura bioclimática. Esta não é uma especialização dentro do ensino de arquitetura, é ensinado em todas as escolas de graduação, é esperado que um bom profissional dê importância relevante a estes aspectos. A Arquitetura Bioclimática é o estudo que busca a harmonização das construções ao clima e características locais. Manipula o desenho e elementos arquitetônicos a fim de otimizar as relações entre homem e natureza, tanto no que diz respeito à redução de impactos ambientais quanto à melhoria das condições de vida humana, conforto e racionalização do consumo energético. A seguir, propostas solicitadas por estes profissionais:
2) Aquecimento solar de água. Popular entre os brasileiros, esse recurso ganhou ainda mais força quando algumas prefeituras tornaram obrigatório o uso de energia solar em sistemas de aquecimento de pelo menos 40% da água em novas edificações com quatro banheiros ou mais por unidade. O crescimento poderia ser maior se não fosse a frustração das pessoas que por desconhecimento ou falta de capacitação técnica instalaram errado o sistema. É comum encontrar coletores embaixo de árvores ou voltados para a face sul, a menos ensolarada. O caminho é procurar empresas e mão-de-obra associadas à Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava). Quanto ao preço, a implantação do sistema acrescenta de 0,5 a 1% do valor da obra, que se paga em até cinco anos, segundo Carlos Faria, diretor da Abrava.
3) Aproveitamento das águas de chuva e contenção de enchentes. A água captada pela calha segue para um filtro, eliminando folhas e detritos. Armazenada numa cisterna, é protegida da luz e do calor para evitar a proliferação de fungos e bactérias. Uma bomba direciona a água limpa até a caixa. O sistema da rede pública, se destina a torneiras de banheiros e cozinha e chuveiros.Enquanto a água da chuva pode ser usada para caixas de vaso sanitário,lavagem de roupas e torneiras externas. Antes da instalação, porém, recomenda-se levantar os índices pluviométricos do local e da capacidade de captação do telhado para dimensionar os equipamentos (de 3 a 5 mil reais). "O sistema de armazenamento é uma forma complementar e bem elaborada capaz de reter a água da chuva, que, quando não aproveitada para irrigação ou limpeza, é posteriormente liberada no solo por onde penetra e reabastece o lençol freático. O funcionamento é semelhante ao do "piscinão": impede a enxurrada de chegar nas ruas e no sistema de drenagem, que não comportaria o volume excessivo. ", afirma Jack Sickermann, especialista no assunto.
4) Áreas permeáveis e calçada ecológica. Muitas pessoas não obedecem ao Código de Obras das cidades que exigem áreas mínimas de permeabilidade da águas pluviais no solo (gramados e jardins) em todas as edificações. Assim que obtém a licença para usar o edifício fecham essas áreas com pisos cerâmicos para ter uma fácil manutenção. Elas esquecem que suas casas são pequenas células de um organismo chamado “cidade” e ao fazerem isto contribuem para as inundações. As calçadas com grama, são áreas intermediárias entre o público e o privado que ajudariam nesta causa.
5) Reúso da água do banho para vaso sanitário. Como fazer? Resposta: Desviar a água do ralo do box para um reservatório passando por filtros e tratamentos para depois reutilizar essa água nos vasos sanitários. Para isso muitos projetos e muitas variáveis poderão ser feitos. Essa é uma opção para uma reforma onde não se tem espaço para o reservatório de águas da chuva.
6) Torneiras economizadoras. Metais sanitários com redutores de vazão, arejadores e sensores de presenças garantem o conforto do usuário com o consumo mínimo de água.
7) Bacias sanitárias com caixa acoplada. Alguns modelos vem com duas opções de fluxo(3 ou 6 litros) rendem economia de até 60% no consumo anual.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Setor começa a certificar toda a cadeia de fornecedores

Quando o primeiro empreendimento brasileiro certificado como sustentável começou ser construído, há cerca de dois anos, os incorporadores não imaginavam as dificuldades que teriam para conseguir fornecedores capacitados a atender às exigências dos edifícios verdes.
"As tintas descascaram e alguns painéis racharam", conta Nilton Figueiredo, presidente da SustentaX Engenharia de Sustentabilidade, empresa de consultoria que desenvolveu o projeto de sustentabilidade da agência do Banco Real em Cotia, região metropolitana de São Paulo, o primeiro projeto no Brasil a receber o certificado de sustentabilidade LEED (Leadership in Energy & Environmental Design).
Aos poucos, os materiais que apresentaram problemas foram substituídos até se encaixarem nas exigências do US Green Building Council, com sede nos Estados Unidos, que concede o selo LEED.

Foram essas dificuldades que levaram a empresa a criar um sistema de certificação para a cadeia de fornecedores: o Selo SustentaX. De acordo com Figueiredo, o selo servirá como uma referência para os construtores de que o produto atende ao requisito de sustentabilidade ambiental internacional e de que foi produzido com responsabilidade socioambiental (sem trabalho infantil, com controle de dejetos, carteira assinada etc.). A SustentaX começou a desenvolver o conceito dos selos em 2006. A empresa tem três funcionários acreditados junto ao Green Building Council.Para receber o selo, os produtos foram submetidos a testes que comprovam sua qualidade e durabilidade e atestam que o fabricante tem intenções claras para redução de desperdícios e reutilização e reciclagem das sobras de materiais.
Os primeiros selos SustentaX serão entregues na próxima semana a cerca de 30 produtos durante o evento II Mostra Sistema FIESP de Responsabilidade Socioambiental, que acontecerá no auditório do Parque do Ibirapuera. Entre as empresas que receberão o certificado de produtos socioambientais responsáveis estão a Duratex, Deca, Nova Hydra, Suvinil, Fademac, Werden e JRJ Tecidos.
"Sofremos no passado com fornecedores", declara Renato Auriemo, sócio da RMA Engenharia, empresa responsável pela obra do laboratório Delboni que foi o segundo empreendimento a receber o LEED no Brasil. Segundo Auriemo, essa situação hoje está bem melhor mas ainda há dificuldades porque como são poucos as empresas capacitadas nessa área a procura é muito grande e elas estão "super demandadas’’.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Edifício em São Paulo é o segundo no Brasil a receber certificação verde

O edifício projetado e construído pela RMA Engenharia Integrada é o segundo prédio do Brasil a receber a certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), fornecido pelo U.S Green Building Council (USGBC) - um atestado de que foi construído de acordo com regras socioambientais. No local, está instalada uma unidade dos Laboratórios Delboni Auriemo. O prédio, localizado na Avenida General Ataliba Leonel, 1.953, no bairro de Santana, Zona Norte da capital, teve 33 pontos de qualificação e conquistou o certificado na categoria Silver. “O projeto foi criado para ser sustentável desde a fundação até a sua utilização. Desta maneira, é importante ressaltar o trabalho que deverá ser feito daqui para frente, mantendo, com o serviço de manutenção, as características de construção consciente”, afirma Renato Auriemo, diretor operacional da RMA.

Segundo o Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS), o segmento da construção civil é responsável pelo consumo de 75% dos recursos naturais extraídos no mundo, de 20% de toda a água usada nas cidades e por cerca de 50% da energia elétrica. Sem contar a geração de 80 milhões de toneladas/ano de resíduos e a liberação de gases do efeito estufa. Esse cenário, somado à crescente visibilidade do tema aquecimento global, faz com que o termo sustentabilidade ganhe espaço no planejamento estratégico das empresas do segmento.

Mas o movimento ainda é incipiente. “No Brasil, ações mais articuladas começaram há cerca de três anos. Antes, o que víamos eram soluções muito pontuais”, afirma o engenheiro Roberto de Souza, presidente do Centro de Tecnologia de Edificações (CTE), que presta consultoria a companhias com a intenção de se tornarem “verdes”. “A mudança nas empresas só vai acontecer quando o consumidor exigir que algo seja feito”, diz Newton Figueiredo, presidente da consultoria SustentaX.

Para atestar que um empreendimento adota práticas sustentáveis, ou seja, respeita itens como eficiência energética e uso de materiais de menor impacto, centenas de modelos de certificação foram criados no mundo. Um dos mais conceituados é a da entidade norte-americana USGBC, feita de acordo com as normas do LEED. Desde 2004, a organização está presente no Brasil por meio do Green Building Council do Brasil (GBC), que hoje conta com 51 projetos em processo de certificação.

A recente criação de outro selo verde no país é mais um indício de que o setor está olhando para o tema. Inspirado no certificado francês HQE, o AQUA (Alta Qualidade Ambiental) foi desenvolvido pelos professores da Escola Politécnica e é emitido pela Fundação Vanzolini. “O mercado imobiliário vive um momento rico em oportunidades para as empresas que queiram se diferenciar e assumir práticas de sustentabilidade”, diz Roberto de Souza. “Trata-se de uma questão de decisão empresarial que, se conduzida com rigor e credibilidade, resulta em ganhos para os acionistas, clientes, colaboradores e, em especial, para as gerações futuras.”

O que é um edifício verde?

Veja os itens que um prédio tem de atender para ser considerado sustentável:

1) Escolha do terreno: convém respeitar possíveis áreas de preservação ambiental, criar condições para a manutenção da vida da biodiversidade local, recuperar áreas degradadas e compensar os passivos ambientais.

2) Uso racional da água: aqui, é preciso observar tanto o processo de construção quanto o produto final. Entram itens como economia de água no canteiro de obras (projetos de reuso e captação pluvial), construção de estações de tratamento de esgotos e tecnologias para racionalizar o consumo durante a vida útil do prédio (temporizadores nas torneiras e válvulas da descarga com dois fluxos, para líquidos e sólidos).

3) Uso racional de energia e emissões atmosféricas: contempla racionalização de ar-condicionado e iluminação, adoção de equipamentos de alto desempenho energético, medição individualizada, uso de energias renovável, eólica e solar.

4) Consumo de materiais e geração de resíduos: preferir tintas que não emitam compostos orgânicos voláteis e materiais com componentes reciclados. Usar madeira certificada e verificar se os fornecedores têm práticas de responsabilidade social. Além disso, reaproveitar os resíduos da obra e orientar os moradores a reciclarem o lixo.

5) Responsabilidade social no canteiro: ações de inclusão social, educação ambiental e programas de capacitação.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Centenas de produtos ecologicamente corretos podem ser encontrados na C&C Casa e Construção

Para apoiar e estimular o consumo consciente, a C&C Casa e Construção, maior rede varejista de materiais para construção, reforma e decoração do País, tem buscado, junto aos seus fornecedores, oferecer produtos com atributos favoráveis à ecologia e ao meio ambiente. Como resultado dessa ação, os clientes da rede podem encontrar no site www.cec.com.br, mais de 100 itens ecologicamente corretos.
Um exemplo são as luminárias solares. Durante o dia, elas acumulam energia e no período noturno, ligam automaticamente, consumindo somente a energia produzida pelos raios solares. Segundo Mauricio Grandeza, gerente de e-commerce, “A C&C se preocupa com essa realidade e dispõe em suas lojas diversas alternativas de produtos que dispensam matéria prima não-renovável, consomem menos energia e não agridem ao ambiente.”
Entre os eletrodomésticos, desenvolvidos para consumir menos energia, disponíveis na rede, estão caixas de descarga e torneiras que controlam o volume de água, lâmpadas econômicas, dispositivos que permitem controlar o tempo do banho e do funcionamento dos eletrodomésticos, tintas fabricadas sem derivados de petróleo, móveis feitos com madeira certificada, coletores seletivos e muito outros.
Para facilitar a busca do consumidor por esses produtos, a empresa criou o selo “ECO2” (Ecológico e/ou Econômico), que identifica, no site, os produtos que geram algum benefício ecológico. “E a grande vantagem é que além desse benefício, esses produtos geram também algum tipo de economia para quem os utiliza”, conclui Grandeza.
Responsabilidade - Engajada em promover ações de responsabilidade social, a C&C oferece cursos e exames médicos gratuitos para a população, apóia eventos ecológicos, projetos educacionais e realiza frequentemente campanhas em prol de instituições assistenciais. Entre as atividades rotineiras da empresa já foram implantadas a coleta seletiva de lixo e o uso de papel reciclado na elaboração de material promocional, tudo isso para conscientizar clientes e funcionários da importância de contribuir com a sociedade e preservar o meio-ambiente.
Com capital 100% nacional, a C&C Casa e Construção é líder do mercado varejista de materiais para construção, reforma e decoração do País. Atualmente a rede conta com 39 unidades espalhadas pelos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, sendo 36 home-centers e 3 lojas Express. Em São Paulo são 32 lojas distribuídas pela capital, Grande São Paulo, interior e baixada santista. No Rio de Janeiro são sete lojas, seis na capital do Estado e uma em Niterói.

segunda-feira, 24 de março de 2008

No Dia Mundial da Água, empresas capixabas repensam o consumo e premiam funcionários que adotarem medidas para preservar o planeta


Desde 1993, a Organização das Nações Unidas instituiu o dia 22 de fevereiro como o Dia Mundial da Água. Quinze anos depois, a preocupação com a escassez de recursos hídricos ganhou lugar cativo nas discussões de empresas e organizações, em busca de alternativas para solucionar a questão.

Dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), divulgados em 2006, indicam que o consumo de água no Brasil tem diminuído a cada ano. Há dois anos, a ONU identificou que das 27 unidades Federativas do Brasil (contando Estados e Distrito Federal), 24 haviam reduzido o consumo médio de água por residência. Pernambuco e Rondônia foram os Estados que obtiveram maior índice de redução, com uma retração de mais de 50% entre 1995 e 2004. Já o Espírito Santo é citado no Pnud como um dos Estados brasileiros em que a tarifa de água teve maior aumento, com variação superior a 100% de reajuste.

Na Grande Vitória, já há empresas que vêm implementando programas de redução do consumo de água como forma de atrelar a atividade administrativa à adoção de práticas de responsabilidade socioambiental. No Hospital Metropolitano, na Serra, por exemplo, desde janeiro vem sendo divulgada a "Campanha de Consumo Consciente", para que funcionários reduzam os valores de suas contas domiciliares de água, energia elétrica e o consumo de papel no ambiente de trabalho.

Sem incentivo, falta interesse em economia de água

A Agência Nacional de Águas (ANA) afirma que 63% do consumo de água residencial ocorre no banheiro. E substituir torneiras, chuveiros e sanitários por itens que diminuam a vazão da água pode reduzir pela metade o consumo residencial. A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) estimula a troca com informações aos interessados, porém não prevê nenhum incentivo financeiro a quem adere à iniciativa. Com isso, a adesão dos usuários residenciais acaba sendo baixa. Por mês, apenas três condomínios procuram o Programa de Uso Racional da Água (Pura), promovido pela Sabesp, para se adequar a uma redução no consumo.A bacia sanitária e o chuveiro consomem juntos mais da metade de toda a água gasta em uma residência. Segundo o Programa de Uso Racional da Água (Pura), promovido pela empresa de saneamento urbano de São Paulo (Sabesp), a troca de uma torneira convencional por uma com restritor de vazão diminui em até 70% o consumo.
Consultor em programas de uso racional da água, o engenheiro Paulo Costa afirma que a falta de uma política de racionalização do consumo reflete a pouca pressão que a sociedade exerce quando o assunto é economia de recursos hídricos. "O poder público só se mexe quando a sociedade cobra atitudes concretas, como um incentivo direto à economia de água", afirmou.
Programas de incentivo à troca de equipamentos hidráulicos domésticos foram aplicados com sucesso em cidades como Nova York, onde 1,3 mil bacias economizadoras foram instaladas, diz o consultor. "A prefeitura pagou uma soma em dinheiro para cada sanitário convencional comprovadamente substituído por um com bacia economizadora", afirmou Costa. Um sanitário convencional gasta, de acordo com ele, de 12 a 15 l de água a cada acionamento. Um equipamento dos novos, metade disso: 6 l. Resultado: bairros como o Harlem reduziram em 50% o consumo doméstico.
Um acordo entre a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) firmado com as empresas fabricantes de itens sanitários como vasos e torneiras em 2003, prevê que todos os vasos produzidos a partir desta data tenham o dispositivo economizador. O problema é que apenas as residências recém construídas ou reformadas acabam optando pelos equipamentos mais modernos. Bancar a troca não é barato: uma torneira eletrônica pode custar R$ 500 pelo preço de catálogo.
Tantos empecilhos e a falta de incentivo do governo tornam pouco atraente a opção por um consumo sustentável de água. Os gastos com água são a segunda maior despesa dos condomínios, perdendo apenas para despesas com pessoal, segundo a ANA. Apesar disso, a adesão a programas de racionamento acaba sendo exclusivammente de imóveis públicos como hospitais, parques, escolas e repartições.
Um dos casos de maior sucesso, segundo a Sabesp, é o da escola Estadual Fernão Dias Paes, na zona leste de São Paulo, que reduziu em 94% seu consumo de água. Antes da aplicação no Pura, gastava R$ 37.440,00 por mês em água. Hoje, a conta é de R$ 2.250,00, o retorno do investimento de R$ 5.130,39 na troca dos equipamentos aconteceu em cinco dias.

Desperdício de 40%
Mas o problema do desperdício é mais amplo. Segundo levantamento do Ministério das Cidades, antes mesmo de chegar ao consumidor, 39,8% da água produzida é desperdiçada. Isso se deve, entre outros fatores, à idade e ao estado precário da tubulação urbana."Seria necessária a substituição de todo o sistema em São Paulo, mas é uma obra cara e que renderia poucos votos", diz o técnico em geologia do Centro de Pesquisa de Águas Subterrâneas da USP, Fernando Augusto Saraiva.

Desperdício de água nas capitais daria para abastecer 38 milhões de pessoas

Diariamente nas capitais brasileiras o desperdício de água potável equivale a 2.500 piscinas olímpicas (em média 2,5 milhões de litros de água). E a culpa neste caso, não é do consumidor. A perda de cerca de seis bilhões de litros – o suficiente para abastecer 38 milhões de pessoas – acontece entre a retirada dos mananciais e a chegada às torneiras.
Os números fazem parte de um relatório do Instituto Sócio-Ambiental (ISA), que traça um panorama do alcance de sistemas de saneamento básico e do volume de desperdício de águas no país. De acordo uma das coordenadoras do ISA Marussia Whately, as perdas são causadas por vazamento nas redes de abastecimento, sub-medição nos hidrômetros e fraudes.“A maioria das capitais – 15 das 27 – perdem mais da metade da água produzida”, de acordo com o relatório. Porto Velho, capital de Rondônia, é a campeã em desperdício, com 78,8% de perda. As cidades de Rio Branco, de Manaus e de Belém também têm índices superiores a 70%. O desperdício nessas capitais seria suficiente para abastecer quase cinco milhões de habitantes.De acordo com a superintendente de Produção de Água da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), Tânia Baylão, a redução de desperdício passa por garantia de investimentos nas redes e atendimento rápido de notificações de vazamentos.“Combater a perda tem que ser uma diretriz básica, temos inclusive uma linha de financiamento prioritária para isso”. O Distrito Federal é a unidade da federação com o menor registro de perda na distribuição, com 27,3%.
Além da perda na distribuição, o relatório também apresenta um mapa do consumo doméstico de água e mostra que a média nacional, de 150 litros per capita, está 40 litros acima do recomendado pela Organização das Nações Unidas (ONU). Em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Vitória, o consumo ultrapassa 220 litros por dia.“Infelizmente, o brasileiro acha que como temos bastante água no Brasil, não é preciso economizar. Pelo contrário, temos regiões em que se você dividir o volume de água pela população, podemos considerá-las como áreas de déficit hídrico, como São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo”, explicou o chefe das assessorias da Agência Nacional de Águas (ANA), Antônio Félix Domingues.
A representante do ISA Marussia Whately aponta a conta de água conjunta em condomínios residenciais como uma das causas do alto consumo em regiões urbanas. “O usuário acaba não tendo o mesmo cuidado com o aumento do consumo de água assim como tem com a conta de luz”, compara. Ela defende que “pequenas transformações em hábitos diários podem gerar grandes mudança” e acredita que a conscientização é uma das ferramentas para diminuir o desperdício.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Torneiras automáticas

Torneiras automáticas, elas reduzem o consumo de água em cerca de 20% ou eletrônicas dão queda de 40% no gasto com água.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Construção Sustentável ganha força no mercado

Com a missão de disseminar o conhecimento, fomentar a formação de uma nova cultura e capacitar a sociedade para implementação efetiva dos conceitos da Construção Sustentável, a Goincorp Incorporações e Empreendimentos acaba de lançar o GreenKey. Este novo selo pretende identificar que todos os projetos lançados pela empresa respeitam os pré-requisitos necessários para minimizar os impactos do empreendimento junto ao Meio Ambiente.

Aliado ao lançamento dessa nova marca, foi criado dentro da empresa um núcleo de profissionais de diversas áreas (engenharia, arquitetura, compras e marketing) que pesquisam materiais a serem aplicados na construção dos empreendimentos com a missão de torná-los sustentáveis. Esse departamento certifica parceiros que possuam filosofia e produtos compatíveis com a minimização e reaproveitamento de recursos hídricos, materiais que maximizam o uso da iluminação natural, tornando o ambiente isotérmico, diminuindo o uso de aparelhos de ar condicionado e iluminação artificial. Também faz parte dessa comissão desenvolver programas racionais de destinação de lixos e coletas seletivas, bem como, todos os aspectos que harmonizem os empreendimentos ao meio ambiente.

E para fundamentar ainda mais toda essa iniciativa, além de alinhar a sua política de sustentabilidade ambiental, a Goincorp também acaba de se tornar membro do Green Building Council Brasil - GBC, uma organização referência no setor da construção civil que incentiva a transformação continua de toda a cadeia produtiva em direção à sustentabilidade. Além de facilitar a integração e cooperação entre os diversos participantes da indústria da construção, o GBC estimula o desenvolvimento de tecnologias, materiais, processo e procedimentos operacionais que fortaleçam as práticas sustentáveis no setor, compilando e divulgando as melhores práticas de construção sustentável.


Sobre a Goincorp

A Goincorp Incorporações e Empreendimentos atua no mercado imobiliário desde 1996. A organização é presida pelo administrador de empresas Henry Tjoanhan Go, 52 anos, empresário do setor da construção civil que prioriza seus esforços em Alphaville, na cidade de Barueri, onde está localizado o maior, mais famoso e luxuoso conjunto de condomínios da Grande São Paulo. Em sua trajetória profissional, Henry participou como sócio e diretor da Y. Takaoka Empreendimentos, oriunda da Construtora Albuquerque Takaoka S/A, respeitável empresa que planejou e concebeu Alphaville nos anos 70.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Para economizar água

Para economizar água , basta seguir algumas das dicas abaixo:

No banho, se molhe, feche o chuveiro, se ensaboe e depois abra a torneira para enxaguar. Não fique com o chuveiro aberto. O consumo cairá de 180 para 48 litros;
ao escovar os dentes, não deixe a torneira aberta e enxágüe a boca com a água do copo. Assim, você economiza 3 litros de água;
quando for utilizar a descarga, aperte-a uma única vez e não jogue lixo e restos de comida no vaso sanitário;
feche bem as torneiras: aberta, ela gasta de 12 a 20 litros, por minuto; pingando, 46 litros/dia, o que representa 1.380 litros por mês. Já um buraco de 2 milímetros no encanamento desperdiça cerca de 3 caixas de água de mil litros;
Na lavagem de louças, com a torneira aberta o tempo todo, são desperdiçados até 105 litros de água. Então, a dica é ensaboar a louça com a torneira fechada e, depois, enxágua-la de uma vez. Na máquina de lavar louça são gastos 40 litros. Utilize-a somente quando estiver cheia.
Só lave o carro uma vez por mês, com balde de 10 litros, para ensaboar e enxaguar. Apenas lave o carro se realmente precisar usando, por exemplo, água da sobra da máquina lavar roupa. Só para se ter uma idéia, com uma mangueira gastam-se 600 litros de água. Na limpeza de quintal e calçada use vassoura. Se precisar, utilize a água que sai do enxágüe da máquina de lavar.
(fonte: www.rededasaguas.org.br)

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Sustentabilidade na construção civil começa alavancar no Espírito Santo

As construções sustentáveis começam a ganhar seu espaço no Espírito Santo e os projetos para integrar as obras e o meio ambiente, com a utilização de tecnologias que garantem o reaproveitamento de recursos naturais, o uso de materiais de baixo impacto ambiental e que consideram todo o ciclo de vida dos produtos, desde a produção até o descarte, reuso e reciclagem, ficam cada dia mais valorizados. Apesar da adesão ainda pequena ao movimento sustentável, a construção civil já começa a considerar esses valores em seus novos empreendimentos.
A arquiteta Angela Gomes de Souza, da Daus – Design, Arquitetura e Urbanismos Sustentáveis, já trabalha com projetos que envolvem os conceitos de sustentabilidade em sua empresa desde 2000. “Depois que fiz uma exposição sobre a biodiversidade da Mata Atlântica, em Linhares, percebi a importância do meio ambiente e da responsabilidade das ações do homem. Também passei a conhecer, cada vez mais, o ciclo de vida de alguns produtos existentes no mercado e a certificação ISO14000, destinada ao Sistemas de Gestão Ambiental industrial. Desde então, o processo de criação de meus projetos passou a integrar os conceitos de sustentabilidade econômica e socioambiental”, conta a arquiteta.
A idéia deu certo e a Daus já criou espaços destinados a visitação pública e educação ambiental para grandes empresas das áreas de mineração, celulose e siderurgia, que utilizam materiais de baixo impacto ambiental, além de aproveitar a iluminação e ventilação naturais, entre outras técnicas.
A tendência é que esse tipo de construção, mesmo que em escalas e níveis diferentes, passe a ser a maioria e seja considerada comum. “Basta lembrar que, no Brasil, até alguns anos atrás, nossos produtos eram vendidos sem datas de fabricação e validade e ninguém usava cinto de segurança em veículos, o que hoje todos reconhecem como atitudes corretas. Da mesma forma, os empreendimentos sustentáveis serão os melhores do mercado”, aposta Angela.
Sustentabilidade - A sustentabilidade busca a diminuição dos impactos no meio ambiente, desde a concepção do projeto até o funcionamento do edifício. Durante as obras já começa a economia de recursos naturais, a utilização de materiais de baixo impacto ambiental, adoção de técnicas de ventilação e iluminação naturais, utilização de materiais regionais, baixa geração de resíduos. Com a obra concluída, a coleta seletiva de lixo, a captação de água da chuva, o uso de energia solar são algumas iniciativas que também podem ser adotadas nos empreendimentos.
O novo conceito, além de significar economia para as empresas, agrega valor ao empreendimento, não só para o público interno, mas também para usuários externos, visitantes e, especialmente, investidores, que reconhecem e identificam na própria edificação os valores gerais adotados pelas empresas.
No âmbito do mercado imobiliário, o conceito é bem mais recente e ainda temos muito trabalho pela frente, mas “a tendência é o consumidor exigir e reconhecer, cada vez mais, produtos e serviços desenvolvidos com responsabilidade socioambiental. A sustentabilidade está mudando a forma como os arquitetos criam, planejam e especificam as edificações”, afirma a arquiteta.
Certificações - Alguns certificados identificam os empreendimentos no Brasil. Entre os mais conhecidos está o ISO 14000, com 28 normas relacionadas a Sistemas de Gestão Ambiental. A série refere-se ao que a empresa ou organização deve fazer para diminuir o impacto das suas atividades no meio ambiente. Depois de certificada, as empresas têm acompanhamento constante, com auditorias a cada seis meses, para verificar a continuidade aos requisitos da Norma, podendo ser suspendido, cancelado ou revogado o certificado.
Já começou a ganhar espaço entre as empresas brasileiras também norte-americano LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), que tem como características a excelência no uso de energia e no design ambiental. Concedido Conselho Green Building (“Construção Verde”), o LEED é o critério de classificação de empreendimentos sustentáveis mais difundido internacionalmente. O certificado trabalha com diversas categorias, que englobam quase todos os tipos de construção imobiliária. No Brasil só existe uma empresa certificada com o LEED: a agência do Banco Real, localizada na região da Granja Viana, na cidade de Cotia, na grande São Paulo, - inaugurada em 2007.

sábado, 5 de janeiro de 2008

Verão, a estação do desperdício de água

De acordo com a Organização das Nações Unidas, cada pessoa necessita de 110 litros de água por dia para atender as necessidades de consumo e higiene. No entanto, no Brasil, o consumo por pessoa pode chegar a 200 litros.
Com a chegada do verão e temperaturas elevadas, o consumo de água conseqüentemente aumenta. "A preocupação com o gasto deste recurso deve ser durante todo o ano, porém no verão devemos redobrar esse cuidado", diz o engenheiro Luiz Fernando Lucho do Valle, presidente da Ecoesfera Empreendimentos Sustentáveis.
Uma das soluções encontradas pelo engenheiro para conter o desperdício de água em seus empreendimentos foi a implantação de chuveiros com válvulas inteligentes que regulam a quantidade de água, onde a economia é de 125 litros por banho de 5 minutos. O uso de um chuveiro convencional com base nesta média de tempo gasta por volta de 250 litros de água. Torneiras com temporizadores, vasos sanitários equipados com dois acionadores na descarga - dois e seis litros, também fazem parte do projeto.
Outra solução são as estações de tratamento de esgoto e as caixas de captação da água de chuva, a primeira trata a água proveniente das torneiras e chuveiros e volta para reuso somente no vaso. "Mas quem não possui estes diferencias em casa também pode contribuir usando a água de enxágüe da máquina de lavar para a limpeza do quintal, captar água de chuva com auxilio baldes, diminuir o tempo do banho e sempre que possível levar o automóvel em lava rápidos" conclui do Valle.
Segundo a ONU, vinte e seis países com cerca de 232 milhões de pessoas sofrem com a escassez da água. Caso as nações em desenvolvimento não fecharem suas torneiras, terão de investir mais de US$ 700 bilhões nos próximos anos para não morrerem de sede.
Embora o Brasil seja privilegiado com 13,7% da água doce do planeta e 1/3 do maior aqüífero subterrâneo do mundo, com um volume de 50 bilhões de metros cúbicos, a distribuição dessa água é desigual. "É importante lembrar que este importante recurso é finito, é preciso nos reeducar, ensinar nossos filhos para que amanhã eles possam continuar usufruindo deste recurso tão importante", conclui do Valle.
Fonte: [da assessoria]redacao@entrelinhas.com

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Prédios verdes

Construtoras investem em imóveis ecologicamente corretos em razão da forte demanda. Além da redução do impacto ambiental, os imóveis sustentáveis proporcionam muita economia de custos.

Os projetos de empreendimentos ecologicamente corretos já chegaram a Brasília. São os chamados green buildings ou prédios verdes. Essa iniciativa empresarial surgiu para respeitar o meio ambiente e proporcionar meios de se aproveitar ao máximo os recursos naturais disponíveis, minimizando os impactos causados ao meio ambiente. Com o pensamento focado nesses princípios, algumas construtoras já estão com importantes empreendimentos ecologicamente corretos na cidade.Existem hoje cerca de 700 prédios nos Estados Unidos, Inglaterra e Índia que seguem o conceito de empreendimentos sustentáveis. No Brasil, os imóveis ecológicos já estão surgindo em várias capitais, como São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Florianópolis e Brasília.
Para incentivar ainda mais esse tipo de construção, está em andamento a criação de um padrão de construção sustentável para o Brasil por meio da Liderança em Energia e Desenho Ambiental (LEED), um sistema reconhecido mundialmente.“Como em outros países, a forte demanda por produtos ‘verdes’, orientados pelo princípio da sustentabilidade, ajudará as empresas a alcançarem uma economia de escala que reduzirá preços dos materiais e aumentará os lucros. O LEED Brasil leva em consideração as peculiaridades do nosso setor de construção. Os seus temas centrais e sistema de pontuação foram reavaliados para nosso país com o objetivo de estimular a adoção de práticas sustentáveis inovadoras”, explica o arquiteto Eduardo Estrela, diretor da Estrela Arquitetura.
Dentre as principais vantagens na utilização de novos recursos pelas construtoras estão a economia e a redução no impacto ambiental. “Sem dúvida alguma, a maior preocupação disso, além de minimizar o impacto dos recursos naturais não-renováveis, é a economia. Ainda mais porque a engenharia civil é a que mais causa impacto no meio ambiente. A preocupação atinge dois níveis: a construção e a própria locação do projeto – a posição das aberturas dos prédios”, diz Eduardo.
Segundo o arquiteto, essa conscientização não está somente na determinação de itens nos residenciais, mas nos materiais adquiridos pelas empreiteiras para a construção. “Vai desde o projeto à construção civil, adquirindo argamassa com menos agregado mineral, bloco ecológico, racionalização do projeto e instalação, para ocorrer uma redução no custo de manutenção de um edifício”.Os principais itens utilizados nos empreendimentos das construtoras de Brasília, que apostam nos imóveis ecológicos, são aqueles em que a economia de água e energia seja primordial, já que os prédios residenciais são os maiores consumidores. Normalmente, encontra-se o aproveitamento da água das torneiras e chuveiros e água da chuva na descarga do banheiro e na manutenção dos equipamentos de lazer, e a captação da energia solar para aquecer chuveiros e piscinas.
A construtora PaulOOctavio ainda aplicou caixas de descarga com dois estágios, torneiras com sensores e coleta seletiva de lixo. Na Allicerce, há um estudo minucioso sobre a eficácia energética da iluminação e dos elevadores. “Fazemos um estudo, um projeto luminotécnico para os ambientes das áreas comuns a fim de aumentar a eficiência energética. Com isso, gasta-se menos energia e ilumina-se muito mais”, explica Paulo Aristótoles, diretor técnico da Allicerce.
Para os moradores, segundo Eduardo, a economia com esses recursos pode chegar a 30% nas taxas de água e de condomínio. Já as construtoras pagam mais pelos produtos. “O custo chega a variar em 5% a mais porque muitas dessas tecnologias são novas. Isso porque o Brasil já tem opções que antes não existiam aqui. Alguns metais são de 25% a 30% mais caros, mas a tendência do mercado, vindo a consumir mais, com o tempo, é de que o preço venha a ficar igual ou até mesmo menor do que os produtos convencionais”.
Além de todas essas características, as incorporadoras pretendem agregar outros valores aos novos empreendimentos que surgirão. Segundo Ávila, os novos empreendimentos terão componentes ambientalmente responsáveis, de forma a minimizar o impacto ambiental. “Aspectos que possam agregar valor corporativo, criar vantagem competitiva e desenvolvimento sustentável, através de três pilares: social, ambiental e econômico”, explica.
Isso porque o consumidor também deve ficar mais exigente. “Essa mudança deve atingir todo o mundo. Acho que, para empreendimentos de baixa renda, esse é mais do que um diferencial. Hoje em dia, com a competitividade no mercado, as empresas sempre estão buscando diferenciais. Em Belo Horizonte, mais de 60% dos edifícios utilizam painel solar e todos os moradores exigem esse recurso. Temos de fazer com que o consumidor passe a olhar para esses conceitos e prefira esse tipo de empreendimento”, conclui Eduardo.

Casas ecológicas
Não é só nos edifícios residenciais que os recursos ecológicos podem ser utilizados com eficácia. Nas casas, os moradores têm a oportunidade de transformar toda a construção em benefício do meio ambiente. Lixo orgânico e dejetos transformados em adubo, esgoto tratado para alimentar as plantas, telhado vivo com grama, garrafas como tijolos transparentes, coleta de água através de calhas são alguns itens que podem ser encontrados em Brasília, mais precisamente na casa do bioarquiteto e permacultor Sérgio Pamplona. “A casa é uma pesquisa e me identifico com isso. Temos que mudar os conceitos de construção. Algumas construtoras estão buscando alguns caminhos, mas tem de educar as pessoas também”, diz ele.
Sérgio fez uma casa estreita e não aterrou o terreno para fazer a menor movimentação possível de terra, a casa é de madeira eucalipto tratado – material com menor peso e mais eficiente –, a escada na entrada foi feita com pneus e terra e a parede de tijolo, além de um sanitário seco compostável, em que as fezes e papéis são transformados em adubo. “Integro, o máximo possível, as funções da casa com o ambiente externo. Tento reaproveitar tudo aqui. São princípios que podem ser aplicados em todo lugar”, diz ele.
Os moradores que acham impossível a adaptação com algum desses recursos podem começar com muitas plantas ao redor da casa. “Mas o gramado gasta muita água. Tem de investir em plantas frutíferas e do cerrado”, aconselha Sérgio.
Quanto ao valor em relação a uma casa convencional, o bioarquiteto ressalta que, na época da construção, em 1998, economizou cerca de 40%. Hoje, ele supõe que a obra poderia chegar a 30% mais caro, no máximo.
Fonte: Samila Magalhãessaraujo@jornaldacomunidade.com.br

terça-feira, 20 de novembro de 2007

'Construção sustentável tem de ser boa e barata'

Entrevista

Thassanee Wanick: cônsul da Tailândia e presidente da ONG GBC Brasil

Renata Gama

A sustentabilidade na construção civil tem ganhado importância nos foros de discussão e virou mote de iniciativas da sociedade civil, como a da ONG internacional Green Building Council (GBC), que lançou um selo para diferenciar empreendimentos considerados “verdes”: o Leadership in Energy and Environmental Design (Leed). O certificado é o mais popular do mundo no setor e começa a ser adotado no Brasil. Seus critérios levam em consideração todos os processos construtivos sempre sob o ponto de vista do menor impacto na produção e manutenção dos empreendimentos. Recentemente instalada no País, a entidade GBC Brasil tem como presidente a ambientalista e cônsul tailandesa, Thassanee Wanick. Em entrevista exclusiva ao Estado, ela observa que o mercado imobiliário brasileiro parece estar sensível à questão. Este ano, o selo foi solicitado por 47 novos projetos. Ainda é pouco perto do tamanho do mercado nacional, mas Thassanee é otimista: “Daqui a dois anos, todos vão querer ter o Leed.” Será uma exigência do consumidor, aposta a diplomata. Mas segundo ela, o maior desafio para a sustentabilidade no Brasil não será convencer as empresas a investirem no verde e, sim, vencer a informalidade no setor da construção civil.

Como seria um prédio ideal do ponto de vista da sustentabilidade?

A construção sustentável tem de ser bem feita, boa e barata, usando os materiais com o maior respeito à natureza. Senão, não é sustentável. Prédios sustentáveis têm de ter ciclos de vida de baixo impacto desde o momento em que nascem até o momento em que são concluídos. Tem a ver, por exemplo, com a pedra que você extrai, o jeito que extrai e como usa. Tudo tem que ser feito com o menor impacto evitando o desperdício. A indústria de construção em média, no Brasil, tem cerca de 30% de desperdício e eu estou sendo até conservadora. Se você compra tudo isso, quebra, desfaz, não dá certo, vira lixo de indústria. Falta educação e treinamento dos funcionários.

O que é avaliado na certificação?

No projeto, a primeira coisa é a escolha do local. Se você escolhe um local que tem caimento natural para a água e com isso poupa dinheiro e não precisa interferir na terra, ganha uma pontuação. Você tem que aproveitar a topografia natural. Tem que olhar o lado do sol, por exemplo. Aproveitar a luz natural sem incomodar as pessoas que estão dentro, porque se uma sala fica com o sol torrando direto, você é obrigado a ligar o ar condicionado o dia inteiro. Tem que, por exemplo, usar também sabedoria local, a sabedoria indígena. Por que o telhado na Tailândia tem aquele formato triangular alto no meio e baixo do lado? Porque o ar quente sobe mandando o ar fresco dentro da casa. Com esse tipo de movimento do ar, você não precisa de máquina de ar condicionado. A sabedoria é muito importante. Afinal, nosso objetivo é conforto para o uso sem impacto ambiental e social forte. Impacto tem. No dia em que você nasceu já foi um impacto. Mas podemos usar a energia de forma inteligente. Se temos sol de graça, por que usar eletricidade para aquecer a água? Existem placas que podem captar a energia. E a água? Temos tanta chuva, por que não captar a água da chuva?

Pelo sistema de pontuação do Leed, tem-se a impressão de que há um incentivo para as construções feitas nas áreas metropolitanas. O Leed recomenda o adensamento urbano em vez do ao espraiamento?

Isso serve para que se use o máximo a infra-estrutura que já existe. Não é que se quer trazer tudo para as cidades mas, sim, tentar salvar as áreas verdes que ainda existem. Vamos renovar o ar da cidade sem poluir o de outro lugar. Tem empreendedores que vão construir em uma grande área na Mooca, por exemplo, em vez de investir numa área que ainda tem verde como Alphaville. É uma escolha. A reurbanização, o uso de espaços que já existem, que já foram destruídos, é importante.

Como a senhora avalia as construções brasileiras?

O problema da construção brasileira é o mesmo de todos os países emergentes: o trabalho informal. A pessoa contrata qualquer um para fazer uma reforma. A pessoa quer investir, daí compra um terreno, constrói uma casa, contrata quem não tem nem firma aberta. E os pequenos construtores são ainda muito atrasados. As grandes construtoras, que buscam ter tecnologia, obter certificados como o Leed, estão puxando a indústria inteira para a modernização. Futuramente, o consumidor mais educado, que tiver essas informações, vai exigir. A idéia que predomina hoje é que, no fim, é o preço que funciona. Mas para a construção sustentável, no fim, não tem custo maior, não.

Mas as empresas argumentam que o custo da construção sustentável pode ficar mais caro, em torno de 2% a 10%...

Mas tem retorno a longo prazo. Sabe por quê? Você gasta menos morando num prédio sustentável. É incrível a economia que se faz com o consumo de água e luz. Pelo menos de 30% a 40% nas contas. Além disso, no Brasil, um prédio de 25 ou 30 anos é considerado velho. Um prédio sustentável tem durabilidade de 40, 50 anos. Quando você compra um relógio na Rua 25 de Março não vai durar muito. Mas se você compra um relógio de uma marca como Technos ou Citizen vai durar. São marcas que custam não muito mais, não estou falando de um Rolex. Mas são de qualidade.

A certificação nasceu para prédios comerciais e agora se estende para os residenciais. É uma tendência mundial?

Já é fato nos Estados Unidos. Temos selo de certificação para construções de qualquer natureza. Em menos de três anos, os Estados Unidos pretendem ter um milhão de casas com o Leed. No Brasil, um ano e meio atrás, tinham dois projetos. No ano passado, eram oito. Este ano, já são 47 que estão entrando com pedido de certificação. Nem dá para fazer um gráfico direito. Está só subindo. Daqui dois anos, todos os prédios vão querer ter o Leed. Você está investindo para não deixar seu produto obsoleto, porque futuramente ninguém mais vai querer morar do jeito que está.

As exigências do Leed foram baseadas nas condições norte-americanas. No Brasil, elas precisam ser adaptadas?

Essas regras existem em Luisiana, Flórida, lugares quentes, como Califórnia, áreas desérticas. O que funciona lá também funciona aqui. A parte mais complicada é a energia. O Brasil já usa uma matriz energética considerada modelo internacional. Então, 80% já está correto. Mas serão necessárias algumas mudanças de pontuação para atender ao Brasil. Existem algumas coisas que a GBC Brasil está recomendando, que é tirar as pontuações fáceis e criar outras mais complicadas para incentivar investimentos na área social, educação e biodiversidade. Porque o Brasil tem uma biodiversidade muito grande no País inteiro que se não preservar terá muito problema.